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O Mirante – Aquela Trip de Moto

992 dias de viagem Na sexta-feira, estávamos chegando ao final da nossa viagem em Phuket. O cara que nos hospedava sugeriu que alugássemos uma moto por 200 baht ao dia — e isso fechou perfeitamente com minhas expectativas. Ficamos na Kata House , em homenagem à praia, um lar simples administrado por um casal com dois meninos pequenos. Eles cozinhavam arroz frito e outros pratos típicos da culinária tailandesa, enquanto a noite os bares próximos nos cumprimentavam e convidavam para uma bebida. Comprei um baseado numa dessas noites e fui para a praia registrar meus pensamentos e ideias. Acabei até perdendo meus chinelos na escuridão, mas consegui um material excelente. Decidi que não queria mais me sentir inconsciente — a maconha acabava me tirando do meu centro. Anotei: “Se o beck realmente me faz bem, que então me ajude a largá-lo.” E assim foi. Aprendendo a andar de moto em Phuket Pedi ajuda ao ChatGPT para montar dois roteiros de viagem, cada um com cerca de 4 horas, cobrindo pa...

#979 A venda de ontem é o conteúdo de hoje

07 de outubro Todo grande empreendedor tem uma fase em comum. A fase em que ninguém acredita. A fase em que você bate na porta, faz ligações, oferece algo — e recebe um “não” atrás do outro. Flávio Augusto, por exemplo, começou vendendo cursos de inglês na rua. E foi ali que ele aprendeu o que realmente constrói um império: a capacidade de continuar mesmo sem retorno imediato. Hoje, o cenário mudou — mas o jogo é o mesmo. A diferença é que agora a porta que você bate… é a da atenção das pessoas. A nova venda é o conteúdo . Cada vídeo, cada texto, cada história que você conta é uma proposta de valor. E os “nãos” vêm em forma de poucos likes, visualizações baixas e silêncio. Mas quem persiste, quem repete, quem melhora um pouco a cada dia… constrói a mesma coisa que os grandes empresários construíram: confiança. O produto muda. A forma muda. Mas a essência é a mesma. Vender, no fundo, sempre foi acreditar antes dos outros.

#978 Por que eu viajo: registros do tempo, da vida e das pessoas

Já faz quase três anos que deixei o conhecido para trás. Quando parti, achei que ia entender o mundo, mas foi ele que começou a me ensinar. Cada viagem, cada cidade, cada rosto me mostrou que a vida não é sobre respostas prontas — é sobre perceber, sentir e registrar. Viajar se tornou meu jeito de ver o tempo passando e ganhar perspectiva, de perceber como tudo — até perdas, ruínas e fins — se torna mais bonito com a passagem dos dias. O valor de registrar Lembro de dez anos atrás, quando olhava fotos antigas no Facebook. A sensação era de viajar no tempo, de perceber o quanto o passado se transforma e se enriquece com a memória. Hoje, cada registro que faço é um investimento na minha própria percepção do tempo. Ele me permite ver melhor o futuro, apreciar o presente e compreender que, mesmo aquilo que parece perdido, adquire significado e beleza com o passar dos dias. Fraternidade e encontros Outra coisa que me move é a fraternidade. Sempre me senti à vontade com pessoas, sem precisar...

#853 Para que servem os sonhos?

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Hoje eu acordei muito cedo Já faz algumas noites que não tenho conseguido dormir direito, mas geralmente me convenço de que não é hora de levantar. Acabo adormecendo de novo. Dessa vez, me permiti divagar. Uma viagem de pensamentos. Por sorte ou destino, foquei muito mais no porquê das coisas que eu tenho que fazer — e me relembrei de onde estava. Vieram imagens do sonho: eu tocava samba em uma roda, num bar cheio, perto de casa. Todo mundo vibrava junto. Não existia separação. Existia sorriso. A troca de olhares criava uma energia de suporte mútuo. Um sentimento de que estamos juntos nisso . E foi aí que percebi a ironia: foi o sonho que me acordou — ainda que os sonhos, no geral, aconteçam quando estamos dormindo. Acordei com uma emoção forte. Um ponto esquecido de mim mesmo havia gritado. Porque, nos últimos tempos, só pensava no que precisava entregar amanhã, no dinheiro pra pagar o aluguel. Me perguntei: — O que é que eu posso fazer pra chegar mais perto disso que me faz sentir ...

#847 É muito bom estar vivo

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  Diário de viagem, 27 de maio de 2025 Onde estávamos Faz alguns dias que estamos viajando pelas belíssimas praias do litoral do Brasil. A mata atlântica repousa sobre morros densos, como uma moldura viva. Estar perto do mar me acalma. Do lado de fora, como sempre, um milhão de coisas: trocas de casa, busca por lugares legais para se estar, trabalhar, escrever, criar... Amanhece a quinta feira. Chegamos na cidade por um posto de gasolina na beira da estrada, e fomos até uma pequena estalagem há trinta minutos a pé do centro de Ubatuba.  O sol forte, mesmo que entre nuvens, iluminando a orla e suas cabanas. Barcos perto da praia. Estávamos, de fato, em um lugar novo. O mais difícil da vida em movimento O mais difícil da vida em movimento, com certeza, é acalmar o coração. Numa curva do caminho, surgem problemas que desafiam a paciência e o espírito - uma internet que não funciona. Uma cozinha alagada pela chuva.  Tirei umas horas para caminhar pela praia do Itaguá até o ce...

#840 Quanto é que vale o sonho?

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🗓️  Diário de Viagem – 20 de maio de 2025 📍 Vila Mariana, São Paulo ⏱️  Leitura de 5 minutos Um texto pra quem acredita na vida Remava de caiaque no rio. O bote tinha um furo, claro. Balançou e virou. No meio do rio, cansado, cheguei até a margem mais próxima, já quase sem forças. Logo vem o pensamento: — Me lasquei! Como foi que isso foi acontecer? Chego na praia, sento na areia, temporariamente desolado pela situação. Mas aí… calma. Um lampejo de racionalidade. O oxigênio volta ao cérebro. — Pera aí, não foi um acaso que me trouxe até aqui, também? E, se bem me lembro, não foi algo tão prazeroso assim. Hoje vejo como se tudo aquilo tivesse sido planejado pra acontecer. Pra me ensinar algo. Mas como poderia? Como poderia algo — ou alguém — planejar que eu deixasse pra trás meus caminhos, minha carreira em outra profissão, um relacionamento passado? Me mudar justo quando tudo não estava, de forma alguma, indo mal? A bússola é a alma, e não a mente Como no meu ...

#836 Quando alguém acende a luz, todo mundo enxerga melhor

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🗓️ Diário de Viagem – 16 de maio de 2025 📍 Vila Mariana, São Paulo ⏱️ Leitura de 2 minutos “– É sempre bom se encontrar com pessoas esclarecidas, sabe?” Me peguei ouvindo essa frase hoje. A situação era a seguinte: Uma mulher, dona de uma pousada, recebe uma ligação às 11 da noite. “– Oi, aqui é o Fulano, seu hóspede.” Ele dá uma pausa, escolhendo as palavras. “– Viu, a luz aqui do quarto caiu. No banheiro também. O que podemos fazer?” Ela fica aflita. Era tarde, ela não sabe como reagir. Uma voz ao fundo da ligação, mais distante, diz: “– Eu precisei desligar aqui um disjuntor. Amanhã acordo cedo e o motor ligado não me deixa dormir...” A menina do quarto ao lado. Ela desligou a eletricidade, por impulso. Não calculou as consequências. A senhora, do outro lado da linha, fica apreensiva. “O que esse hóspede vai pensar?”, ela imagina. Mas então ele fala, com voz calma: “– Vamos resolver. Você me guia até o disjuntor, e mexemos na eletricidade.” Fim da história. Proble...