#836 Quando alguém acende a luz, todo mundo enxerga melhor





🗓️ Diário de Viagem – 16 de maio de 2025

📍 Vila Mariana, São Paulo

⏱️ Leitura de 2 minutos



“– É sempre bom se encontrar com pessoas esclarecidas, sabe?”

Me peguei ouvindo essa frase hoje.

A situação era a seguinte:
Uma mulher, dona de uma pousada, recebe uma ligação às 11 da noite.

“– Oi, aqui é o Fulano, seu hóspede.”
Ele dá uma pausa, escolhendo as palavras.
“– Viu, a luz aqui do quarto caiu. No banheiro também. O que podemos fazer?”

Ela fica aflita. Era tarde, ela não sabe como reagir.

Uma voz ao fundo da ligação, mais distante, diz:
“– Eu precisei desligar aqui um disjuntor. Amanhã acordo cedo e o motor ligado não me deixa dormir...”

A menina do quarto ao lado. Ela desligou a eletricidade, por impulso. Não calculou as consequências.

A senhora, do outro lado da linha, fica apreensiva. “O que esse hóspede vai pensar?”, ela imagina.

Mas então ele fala, com voz calma:
“– Vamos resolver. Você me guia até o disjuntor, e mexemos na eletricidade.”

Fim da história. Problema resolvido em poucos minutos.
Tanto para a dona da pousada quanto para a menina do quarto vizinho.


É bonito quando alguém olha para uma situação e tenta resolver.
Sem entrar no modo de "por que isso comigo?". Sem buscar justiça divina numa coisa tão humana quanto um disjuntor desligado.

Porque geralmente, depois de constatar que o universo não tem cara, nariz nem boca, a gente corre pra achar um culpado com CPF. De preferência alguém próximo.

E esse já é o comportamento padrão de muita gente.
Principalmente as que não se conhecem.
Principalmente as que não foram com a cara uma da outra.

Acontece que a maioria das pessoas que vão cruzar seu caminho...
...são exatamente isso: desconhecidas.
Até aquele momento.
E no primeiro encontro de olhares – ou de silêncios – elas já se sentem.
Tentam ler intenções nas entrelinhas.
A cabeça humana é treinada pra suspeitar.

Até que, milagrosamente, acontece algo:

“– Oi! Como vai você?”
Ele se expõe.
Pergunta se está tudo bem.
Avisa que não há problema.
Destensiona o ambiente.

Existe uma beleza silenciosa em se colocar, por livre e calculada vontade, numa posição de vulnerabilidade.
As pessoas sentem.
Não leem seus pensamentos – mas leem sua postura.
É como se algo dissesse: "tá tudo bem por aqui".

É respeitável. É útil.
E, geralmente, é o melhor a se fazer.



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Sobre o autor

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