#853 Para que servem os sonhos?


Hoje eu acordei muito cedo

Já faz algumas noites que não tenho conseguido dormir direito, mas geralmente me convenço de que não é hora de levantar. Acabo adormecendo de novo.

Dessa vez, me permiti divagar. Uma viagem de pensamentos. Por sorte ou destino, foquei muito mais no porquê das coisas que eu tenho que fazer — e me relembrei de onde estava.

Vieram imagens do sonho: eu tocava samba em uma roda, num bar cheio, perto de casa. Todo mundo vibrava junto. Não existia separação. Existia sorriso. A troca de olhares criava uma energia de suporte mútuo. Um sentimento de que estamos juntos nisso.

E foi aí que percebi a ironia: foi o sonho que me acordou — ainda que os sonhos, no geral, aconteçam quando estamos dormindo.

Acordei com uma emoção forte. Um ponto esquecido de mim mesmo havia gritado. Porque, nos últimos tempos, só pensava no que precisava entregar amanhã, no dinheiro pra pagar o aluguel.

Me perguntei:
O que é que eu posso fazer pra chegar mais perto disso que me faz sentir tão bem?

A resposta veio simples.

Levanta da cama. Trabalha, com inteligência. Relembra. Cria tempo pra você.

Levantei. A Gabi, meio sonolenta, perguntou:
— Você não quer dormir mais?

Falei que não. Tomei uma ducha gelada. A água era fraca, mas nem liguei. Fiz um bom café, escrevi tudo o que estava na cabeça: sonhos, tarefas, devaneios. Saí pra correr, mergulhei no mar de Paraty, dei estrelinhas na grama e fui sentar numa praça chamada Ilha das Cobras. Eu estava desperto. E não só fisicamente.


A ótica da física e a ótica da religião

Tudo o que vemos no mundo é imagem. A imagem é o que chega até nós, mas o objeto verdadeiro está além — alguns diriam, no reino dos céus. Gosto de chamar isso de alma. A alma é o objeto celeste.

Na física, a luz bate no objeto e projeta uma imagem. E é isso que enxergamos.
Espiritualmente, a luz do espírito bate na alma e projeta a matéria. Coincidência?

Nos momentos de emoção intensa, percebo que a racionalidade desaparece. O psicólogo Daniel Goleman chamou isso de sequestro emocional. E as doutrinas budistas chamariam de identificação com o ego. Ou seja, nos esquecemos de que somos o jogador — e achamos que somos o personagem.

O ego é essa projeção: o avatar que achamos que somos. A dor começa quando nos esquecemos disso e nos prendemos a formas que não refletem a realidade da alma.


O papel da emoção e o chamado à ação

A emoção vem do latim movere — movimento. Ela só aparece quando há tensão. Um sistema perfeitamente em equilíbrio não se move.

A vida em paz é estática. Mas quando algo se desalinha, a alma se manifesta através do incômodo. Porque precisa que a ponte volte a funcionar: a ponte entre o mundo das ideias e a matéria.

É isso que somos: pontes. E quando esquecemos disso, a alma grita. Começamos a nos sabotar, paralisados pela ilusão de que o jogo é tudo o que há.

Mas quando conseguimos nos afastar do ego — ou seja, sair do sequestro emocional — passamos a ver como observadores. É o ponto de perspectiva da alma. E ali, conseguimos agir. Ver onde está a bagunça e não gastar energia com o que não precisa. A alma lembra do projeto. E os sonhos são seu backup.

No fundo, mesmo quando estamos perdidos no ego, sabemos que algo não faz sentido.
Porque a alma lembra.
E o propósito dela é simples: tornar o mundo mais parecido com o céu de onde veio.


        2025, Paraty Rio de Janeiro 📍

Como sempre, com muito amor, 

Dé.


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Comentários

  1. Então nosso ego é o que joga, neste mundo louco que vivemos?

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    Respostas
    1. Sim! Exatamente. O Ego é o nosso personagem, e a vida é o campo onde a história acontece.

      Excluir

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